Grande parte dos artigos postados nesse blog, foram copiados do blog Manjar Celestial do Mario Persona.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

4ª Carta sobre o Espírito Santo Operando na Igreja - W. Trotter

4ª carta
COMO SE PODE DISCERNIR A DIREÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NA IGREJA
[assembléia]
( MARCAS POSITIVAS )

Amados irmãos,
O homem que tentasse definir as operações do Espírito Santo no despertar ou na conversão de uma alma, não faria mais do que manifestar a sua própria ignorância, negando, além disso, a soberania do Espírito Santo expressa nestas tão conhecidas palavras: “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes onde vem, nem para ode vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito Santo” (Jo 3:8).
Todavia, as escrituras estão repletas de sinais que nos permitem reconhecer aqueles que são nascidos do Espírito Santo e aqueles que não são. O mesmo acontece com o assunto desta carta. Que Deus me guarde do perigo de usurpar o lugar do Espírito Santo, crendo poder delimitar exatamente o modo dEle operar sobre as almas daqueles que dirige, para atuarem na assembléia, seja no culto, seja exercendo um ministério no meio dos santos. Em determinados casos, a coisa pode ser muito mais clara e muito mais sensível do que em outros (quero dizer, sensível para aquele que é assim chamado a atuar pelo Espírito Santo de Deus). Não obstante, por muito vão e presunçoso que pudesse ser procurar dar uma verdadeira e completa definição sobre este tema, a Escritura oferece-nos amplas instruções acerca das marcas ou características do verdadeiro ministério. E é sobre algumas dessas características, as mais simples e as mais evidentes, que desejo agora chamar a vossa atenção, Há aquelas que se aplicam diretamente ao objeto do ministério ; e há outras referentes aos motivos que nos impelem a agir no ministério ou a participar de algum modo na direção das assembléias dos santos. Umas fornecerão àqueles que assim atuam um meio eficaz pela qual eles poderão julgar-se a si mesmos; e, valendo-se das outras, todos os santos poderão discernir o que é do Espírito Santo e o que procede de outra fonte. Algumas servirão para mostrar o que são os dons de Cristo à Sua Igreja para o ministério da Palavra, e outras ajudarão aqueles que possuem realmente esses dons a resolver importante questão de saber quando devem falar e quando devem ficar calados.
Pensando na minha responsabilidade, a minha alma treme ao escrever sobre este assunto, mas o que me encoraja é que “a nossa força vem de Deus”, e que “toda a Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda boa obra”. Provai, pois, por esta perfeita regra, tudo quanto eu puder escrever, e se alguma coisa houver que não suporte esta prova, que Deus vos conceda a graça, amados irmãos, de serdes suficientemente sábios para a rejeitar.
Não é com cegos impulsos e expressões ininteligíveis que o Espírito Santo nos dirige, mas sim enchendo o entendimento espiritual com os pensamentos de Deus, tal como nos são revelados na Palavra escrita, e operando sobre os renovados afetos. É verdade que, nos alvores da cristandade, havia dons da parte de Deus cujo emprego podia não estar ligado à inteligência espiritual. Refiro-me ao dom de línguas, guando não havia intérpretes; e como esse dom, segundo parece, era aos olhos humanos mais maravilhoso do que os outros, os coríntios gostavam muito de exercitá-los e exibi-lo. Por isso o apóstolo os repreende: “Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos. Todavia eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida. Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia e adultos no entendimento” (1 Co 14:18-20). Portanto, o mínimo que se pode esperar daqueles que exercem um ministério é que conheçam as Escrituras, que conheçam o pensamento de Deus tal como está revelado na Sua santa Palavra. Notemos, porém, que esse conhecimento e essa inteligência podem encontrar-se num irmão que não possui nenhum dom de eloquência, de nenhuma capacidade de comunicá-los aos outros. Mas, sem eles, teríamos nós para dar ou comunicar? É Óbvio que os filhos de Deus não se reúnem de vez em quando ao nome do Senhor Jesus apenas para que se lhes apresentem meros pensamentos humanos ou para se lhes repetir o que outros tenham dito ou escrito. Um conhecimento aprofundado das Escrituras e largo entendimento do seu conteúdo são certamente essenciais ao ministério da Palavra. “E disse-lhes Jesus: “ Entendestes todas estas coisas? Disseram-lhe eles: Sim, Senhor. E ele disse-lhes: Por isso, todo escriba instruído acerca do Reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas” (Mt 13:51-52).
Quando nosso Senhor Jesus Cristo estava ao ponto de enviar os Seus discípulos para que fossem Suas testemunhas, “abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras” (Lc 24:45). E quantas vezes não temos lido que Paulo, ao pregar aos judeus, disputava acerca das Escrituras (At 18:2-4). E o apóstolo congratula os romanos cristãos por serem capazes de se exortar uns aos outros, dizendo: “Eu próprio, meus irmãos, certo estou, a respeito de vós, que vós mesmos estais cheios de bondade, cheios de todo o conhecimento, podendo admoestar-vos uns aos outros” (Rm 15:14). Nas porções da Escritura que tratam especialmente da ação do Espírito Santo na assembléia, como, por exemplo, em 1 Coríntios 12, ela não se verifica fora da autoridade da Palavra: “Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência...” (1 Co 12:8).
Quando o apóstolo enumera as qualidades pelas quais ele e os outros se reconhecem como servos de Deus, encontramos o seguinte nessa admirável lista: “na ciência... na palavra da verdade... pelas armas da justiça, à direita e à esquerda...” (2 Co 6:6-7); e se prestarmos atenção aos apetrechos desta armadura, encontraremos um cinto para os lombos, que é a verdade, e “a espada do Espírito Santo, que é a Palavra de Deus” (Ef 6:14 e 17). O apóstolo, aludindo ao que já tinha escrito aos Efésios, diz: “Pelo que, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo...” (Ef 3:4). Quando o mesmo apóstolo insiste para que os santos se exortarem uns aos outros, vejam o que ele menciona em primeiro lugar como condição essencial: “A Palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais; cantando ao Senhor com graça em vosso coração” (Cl 3:16). E diz o mesmo a Timóteo: “Propondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Jesus Cristo, criado com as Palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido” (1 Tm 4:6). E ainda o exorta, dizendo: “Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá... Medita estas coisas; ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina: persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1 Tm 4:13,15-16).
Na segunda epístola, Timóteo é exortado da seguinte maneira: “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (2 Tm 2:2). E quando Paulo fala pessoalmente a Timóteo, lemos: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2:15). Entre as qualidade requeridas de um bispo ou vigilante, como estão mencionadas em Tito, capítulo um, achamos está: “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes” (Tt 1:9). Tudo o que se disse comprova, meus irmãos, que não é só com pequenos fragmentos da verdade, apresentados esporadicamente por obrigação, que  a Igreja pode ser edificada.
Obs: (não permita Deus que estas linhas possam vir a desencorajar alguns irmãos e a impedi-los de proferirem algumas palavras de verdadeira edificação. Mas estou certo de que estes, a quem o Senhor utilizar dessa forma, serão os últimos a supor que o seu ministério seja o único ou o principal pelo qual Deus ministrará às necessidades dos Seus santos.

Não. Os irmãos, a quem o Espírito Santo usa para edificar, sustentar e guiar os santos de Deus, são aqueles cuja alma está habitualmente exercitada pela meditação da Palavra, “os quais em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal” (Hb 5:14). Como dissemos, o mínimo que se pode esperar daqueles que têm um ministério na Igreja, é que tenham um perfeito conhecimento da Palavra de Deus.
Todavia, esse conhecimento só não basta. É preciso também que a palavra de Deus seja aplicada à consciência dos santos, de tal maneira que ela responda às suas necessidades atuais. Mas para isso é necessário reconhecer o estado espiritual dos santos, “comunicando em suas necessidades” (e tal conhecimento será sempre muito imperfeito), ou então ser diretamente dirigido por Deus. Isto vale para os irmãos que, como evangelistas, pastores e mestres, são, no sentido mais amplo da palavra e o mais evidente, os dons de Cristo à Sua Igreja. É somente Deus que pode direcionar-lhes as porções da verdade que atingirão as consciências, respondendo às necessidades das almas. É somente Ele que pode capacitá-los a apresentarem esta verdade de tal maneira que ela produza o seu efeito. Deus conhece as necessidades de todos, como corpo, e de cada um em particular na assembléia, e pode transmitir àqueles que falam a verdade o que mais convém à sua edificação, conheçam eles ou não o estado de alma daqueles a quem se dirigem. Portanto, quão importante é a sujeição sincera e sem reservas ao Espírito Santo do Senhor!
Uma coisa que deveria marcar sempre o ministério do Espírito Santo seria o amor divino que procede de um afeto pessoal por Cristo. “Amas-me?” foi a pergunta formulada três vezes a Pedro, ao mesmo tempo que lhe era ordenado, por três vezes também, que apascentasse o rebanho de Cristo. “Porque o amor de Cristo nos constrange”, diz Paulo. Quanto isto difere de tantos motivos que poderiam naturalmente nos influenciar! Quão importante seria se nós pudéssemos, em boa consciência, dizer cada vez que exercemos algum ministério: “Não é o desejo de me sobressair, nem a força do hábito, nem a impaciência (a qual não pode suportar que não se faça nada) que me levaram a atuar, mas sim o amor por Cristo e pelo seu rebanho, por causa dAquele que o adquiriu ao preço do Seu próprio sangue”. Era isso, certamente, o que faltava ao mau servo que tinha escondido na terra o talento do seu senhor.
Aliás, tanto o ministério do Espírito Santo como qualquer outra ação levada a efeito, na assembléia, sob o impulso desse mesmo Espírito, há de se distinguir sempre por um profundo sentimento de responsabilidade para com Cristo. Permiti-me agora, meus irmãos, formular-vos, e a mim próprio, a seguinte pergunta: Suponhamos que um dia, no fim de uma reunião, perguntassem-nos: “Porque você indicou um tal hino, ou leu um tal capítulo, ou pronunciou tais palavras, ou orou daquela maneira?”. Poderíamos nós responder, com plena, pura e boa consciência: “O meu único motivo, ao fazê-lo, foi a convicção sincera de que esta era a vontade do meu Senhor”? Poderíamos nós dizer: “Indiquei aquele hino porque tinha a consciência de que ele responderia à intenção do Espírito Santo naquele momento. Li aquele capítulo, ou proferi aquelas palavras, porque senti claramente perante Deus que aquele era o serviço que o meu Senhor e Mestre me assinalava. Orei daquela maneira porque tinha a consciência de que o Espírito Santo de Deus me levava a pedir, como porta-voz da assembléia, as bênçãos imploradas nessa súplica”? Meus irmãos, poderíamos responder assim, embora sejam coisas que, frequentemente, só entendemos bem depois de passadas? Ou não atuamos antes, e muitas vezes, sem nenhum sentimento da nossa responsabilidade para com Cristo? “Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus”, diz o apóstolo Pedro. Isto não significa falar apenas segundo a Escritura, ainda que, naturalmente, isto seja verdadeiro também. Esta passagem quer dizer, ou antes, diz que aquele que falam devem falar como oráculos de Deus, isto é, como sendo o próprio Deus a falar pelas suas bocas. Se não estou absolutamente certo, em plena, boa e reta consciência, de que foi o próprio Senhor que pôs na minha boca o que digo à assembléia, e de que o faço no momento oportuno, devo ficar calado. É evidente que um homem pode enganar-se, mesmo cheio de boas intenções, e, por isso, é aos santos que compete julgar, pela Palavra de Deus, tudo o que vêem e ouvem. Aliás, só a convicção sincera, perante Deus, de que foi o Espírito que lhe deu alguma coisa a fazer ou a dizer, deve levar alguém a falar ou agir nas reuniões. Se as nossas consciências agissem sempre sob esta responsabilidade, já se evitaria muitas coisas impróprias. E, ao mesmo tempo, o Ser divino poderia manifestar livremente a Sua presença, a qual, muitas vezes, não temos considerado.
Vejamos como é surpreendente esse sentimento de responsabilidade imediata da parte do apóstolo Paulo para com Cristo: “Porque, se anuncio o Evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho! E por isso, se o faço de boa mente, terei prêmios; mas, se de má vontade, apenas uma dispensação me é confiada” (1 Co 9:16-17). E quão comovedoras são estas palavras que ele dirige ao mesmos cristãos: E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor” (1 Co 2:3). Que censura pela leviandade de coração, pela presunção com que infelizmente, todos nós tratamos, tantas vezes, a santa Palavra do nosso Deus! “Porque nós não somos, como muitos”, diz ainda o apóstolo, “falsificadores da palavra de Deus, antes, falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus” (2 Co 2:17).
Gostaria agora de mencionar um outro ponto: “Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação” (2 Tm 1:7). Um espírito de moderação, ou em outras palavras, de bom senso. É possível que um homem tenha pouca ou nenhuma instrução humana; é possível que lhe falte tudo, que seja incapaz de se expressar de forma correta e elegante, mas que, não obstante, seja um bom servo de Jesus Cristo. Mas é indispensável que ele possua um espírito de moderação, de bom senso. E, enquanto estamos tratando deste assunto, seja-me permitido mencionar algo que algumas vezes me tem entristecido muito, tanto em outros lugares como no meio de nós mesmos. Refiro-me à confusão que se faz entre as Pessoas da Divindade, confusão essa que se verifica até nas orações. Quando um irmão, ao começar a orar, dirigi-se a Deus Pai, e continua falando como se fosse Ele o crucificado, morto e ressuscitado; ou quando, se dirigindo-se a Jesus, rende-Lhe graças por ter enviado o Seu único filho ao mundo, confesso-vos que me pergunto se pode ser o Espírito Santo a inspirar tais orações!
É, pois, evidente que todos aqueles que, de algum modo, tomam parte no culto necessitam do espírito de “bom senso”, para evitarem essa confusão. Penso que nenhum desses irmãos crerá que o pai tenha sido morto sobre o Calvário, nem que Cristo tenha enviado o Seu Filho ao mundo! Portanto, onde se encontrará, então o espírito sereno, inteligente, que deveria caracterizar aqueles que se sobressaem como os “canais” do culto dos santos, quando a linguagem de que se servem exprime, efetivamente, o que eles mesmos não crêem e até seria absurdo crer?!
Reservando ainda alguns pontos para uma outra carta, encerro.
Vosso muito dedicado em Cristo, W. Trotter.

Nota do editor da 5ª edição em língua francesa

Sobre o que o autor comenta acerca de certos defeitos das orações, às quais podem nunca provir do Espírito de Deus, o editor toma a liberdade de acrescentar algumas palavras:

1)      Quando um irmão, orando na assembléia, dirige-se ao Senhor, dizendo: “Meu Deus”, isso não pode, certamente, vir do Espírito, porque o Espírito que impele um certo irmão a levantar e ser o porta-voz de toda a congregação, também o fará identificar-se com a mesma.
2)      Quando uma oração ou uma ação de graças encerra longas exposições doutrinárias, também não posso ver nelas a direção do Espírito Santo. Aquele que ora fala a Deus, e não aos irmãos. Ora, de maneira nenhuma nos convém pregar a Deus!

3)      Duvido que atos do culto, sucedendo-se sempre pela mesma ordem, sejam sempre devidos à direção do Espírito. Por exemplo, será o Espírito que quer que todas as reuniões terminem com uma oração, sem a qual ninguém ousaria levantar-se para sair? Sem dúvida, uma oração final será muito conveniente e tem o seu lugar, se é Deus que a ela nos leva. Do contrário, essa oração não será mais do que uma pobre formalidade e não valerá mais do que uma liturgia rotineira.

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